Ralo de dinheiro, TV Justiça registrou zero de ibope em maio

Uma façanha deplorável: apesar de ser exibida obrigatoriamente na TV aberta (em sinal digital) e estar presente em todos os pacotes de operadoras de TV paga, a TV Justiça conseguiu dar zero de ponto e de share no mês de maio. Share é a participação (em porcentagem) de uma emissora ou programa de TV no universo de TVs ligadas.

A TV Justiça, uma emissora pública, caríssima, com centenas de funcionários estáveis e com salários nababescos, conseguiu dar zero tanto em pontos como em share no mês passado. Em outras palavras, ninguém sintonizou a emissora, segundo dados consolidados de audiência mensurados pela Kantar Ibope Media, obtidos com exclusividade pela coluna. É o exemplo mais notável de como o aparato público de TV joga o nosso dinheiro no lixo. As outras TVs legislativas também não estão por cima da carne seca também: em maio a TV Câmara marcou 0,01 ponto de média e 0,02% de share. Exatamente a mesma “marca” (sic) que outra emissora inútil, a TV Senado. Esta coluna já fez a sugestão racional para a redução de custos: bastaria unir as três emissoras numa só, sob uma só infra-estrutura. O problema é o espírito corporativista de funcionários que trabalham pouquíssimo e ganham muito para qualquer comparação que seja feita com a categoria dos jornalistas, cinegrafistas ou produtores em emissoras comerciais. As três emissoras na verdade são três caixas pretas de gastos milionários, protegidas pelo corporativismo e provavelmente interesses oportunistas —quiçá cabides de (bons) empregos de apaniguados.

Até a TV Brasil nada de braçadas quando comparada com esses três ralos televisivos de dinheiro: em maio marcou 0,25 ponto e 0,63% de share. Convenhamos: nenhuma dessas TVs não faz a menor falta ao país ou à população. Cada ponto nessa medição representa cerca de 250 mil domicílios sintonizados nas 15 maiores regiões metropolitanas do país. Todas as TVs com medições abaixo de 0,4 ponto de audiência já podem, ser consideradas “traços de audiência”.

Mas zero é um número cardinal que corresponde a um conjunto vazio. É a conquista literal do zero absoluto de público. Uma espécie de sucesso, só que num mundo paralelo —o das “autoridades” brasileiras.

Fonte/UOL

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