Ocupação de UTIs volta a ficar abaixo de 80% em Porto Alegre e se mantém estável no RS

Depois de recentemente estar com a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acima de 80% em Porto Alegre, a lotação sofreu uma ligeira redução e estava até a noite desta terça-feira em 77,76%. No Rio Grande do Sul, a situação em relação às UTIs se mantém estável. Nas últimas quatro semanas a taxa vem oscilando entre 70% e 73% e nesta terça estava em 72,3%. 

As maiores lotações estão na Serra, com 77%, Grande Porto Alegre, com 74,6%, e região Norte, com 70,6%. Para manter a situação sob controle, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) tem feito a regulação dos leitos e efetuado uma média diária de 30 transferências de pacientes entre hospitais, além de aumentar a quantidade de leitos. Espera-se terminar o mês de julho com mais 638 leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Algumas instituições, como o Hospital Nossa Senhora da Conceição, na zona Norte da Capital, também têm feito isso por conta própria e correm contra o tempo para ampliar o número de leitos de UTI. “Naturalmente, em outros anos, chegava a ocupar mais de 90% as unidades durante o meses mais frios. Não esperamos passar este inverno de forma tranquila. Não neste ano”, prevê o diretor do Departamento de Regulação Estadual da SES), Eduardo Elsade.

Entre pacientes com suspeita e os confirmados com Covid-19, Porto Alegre tem 69 internados em UTI. Uma redução de 5,47% na comparação com a situação no dia 28 de maio, quando haviam 73 pacientes. Entretanto, o número de pessoas com a doença aumentou, passando de 44 para 46. 

Entre as instituições referência para o tratamento da doença na Capital, o Conceição segue liderando o ranking de lotação, com 88,41%. O hospital conta com 69 leitos operacionais, 61 pacientes internados e 11 com o novo coronavírus e 11 com suspeita. A instituição espera entregar nos próximos dias mais 10 leitos. “Estamos em instalação. Deverá funcionar até o fim da semana”, prevê o diretor Técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Francisco Paz. 

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) está operando com 112 leitos de UTI, ocupados por 75 pacientes, 3 com suspeita e outros 17 confirmados para Covid-19. A lotação está em 66,96%. Entre os hospitais privados, o Moinhos de Vento, que tem 5 pessoas com Covid-19, está com 52 dos seus 56 leitos de UTI ocupados, o que corresponde a uma taxa de 92,86%. Mas é o Ernesto Dornelles que possui 8 pacientes internados, com uma lotação de 77,50%.

Em São Leopoldo, a terceira pessoa a morrer pela doença no município, tinha iniciado o tratamento na UTI do Hospital Centenário no dia 24 de maio. Entretanto, por determinação da regulação da SES, ela foi transferida na última quinta-feira para o Hospital Getúlio Vargas, de Sapucaia do Sul, onde morreu nesta terça-feira. 

De acordo com Elsade, está ocorrendo alguns surtos localizados de Covid-19 e por isso tem acontecido algumas transferências. “Em Bagé, há um mês e meio, tiramos pacientes para regiões próximas e depois para outras áreas mais distantes”, lembra. Segundo o diretor da SES, o procedimento é muito comum e é a forma encontrada de utilizar toda rede de saúde. “É o melhor aproveitamento possível. Se tu não tem um sistema de regulação de leitos, tu pode perder pacientes por falta de acesso ao sistema e ao mesmo tempo ter hospitais vazios”, explica.

Entretanto, junto com as transferências para instituições mais ociosas, a Secretaria tem habilitado leitos de UTI, na tentativa de ampliar a oferta durante a pandemia. No dia 13 de maio, o RS tinha a disposição 1.719 leitos e chegou nesta terça-feira aos 1.906, entre hospitais públicos e privados. “Temos já 310 leitos SUS ampliados, além dos 933 que nós tínhamos no início. Alguns ainda estão esperando habilitação do Ministério da Saúde e até final de julho nós teremos ao todo, mais 638 leitos ampliados”, adianta Elsade.

Tudo isso para que o estado esteja melhor preparado para enfrentar o inverno, quando aumenta também o número de pessoas com doenças respiratórias não-Covid. “Por enquanto está tudo se mantendo de forma tranquila. Chegou a subir um pouco a lotação. Mas nada de assustar. Mas temos de ficar de olho e monitorando. Ainda achamos que a pandemia não chegou no pico”, conclui.

*Fonte/Correio do Povo

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