Instituições de ensino do RS são alvos de ataques racistas durante atividades online

Duas instituições federais sofreram ataques racistas durante atividades online na última semana. Isso aconteceu com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS).

A aula promovida pela UFSM de Palmeira das Missões, na Região Norte do estado, ocorreu na segunda-feira (6). Segundo a professora que organizou o evento, Vanessa Kirsten, cerca de 40 minutos após o início da atividade, um grupo pediu para ingressar na reunião e começou a fazer diversos comentários de deboche e posteriormente ameaças aos participantes.

Foi registrada ocorrência na Polícia Federal em Santo Ângelo. Segundo a PF, será instaurado um inquérito para apurar os fatos narrados.

“Começou a haver uma solicitação muito rápida de várias pessoas e eu acabei aceitando. E eles começaram, então, pelo chat a fazer deboches ‘como assim, não entendi’, ‘então quer dizer que racismo é isso’. Naquele momento a gente verificou que eles tinham intenção de atrapalhar a aula”. explica Vanessa.

aula disponibilizada pelo curso de nutrição abordaria o tema “Saúde e nutrição da população negra”, e tinha como convidada a professora Fernanda Bairros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Vanessa afirma que a ideia era debater a saúde da população negra, um tema pouco inserido dos cursos de nutrição, e, pela relevância do assunto, o link da aula foi bastante divulgado.

“Não posso dizer que foi uma invasão porque o link era aberto e eu permiti a entrada dessas pessoas. Mas no momento em que percebemos que eles queriam atrapalhar o debate, eu solicitei aos participantes que saíssem da aula pois iríamos encerrar”, contou a professora.

Estavam presentes na aula cerca de 40 pessoas, entre professores, alunos de graduação e pós-graduação de diversas universidades.

“Eles abriram os microfones e começaram a fazer insultos, ameaças. Queriam nos dar uma sensação de medo, diziam que invadiriam nosso IP, que se fizéssemos uma nova aula eles iriam derrubar de novo, que iriam pegar nossos números de cartão de crédito. Quando eles viram que todas as pessoas saíram da sala, eles celebraram e disseram ‘Conseguimos. Qual vai ser a próxima?’” diz a professora.

O reitor da universidade, Paulo Burmann, emitiu uma nota repudiando o fato. Além disso, solicitou que a comunidade acadêmica redobre os cuidados com a segurança e as práticas nos usos de mídias digitais. 

Fonte/G1

%d blogueiros gostam disto: