Dois meses depois, Brasil agora pede para integrar aliança por vacinas.

Após meses esnobando iniciativas da OMS e tecendo críticas à organização e sua direção, o governo brasileiro agora escreve para as principais entidades internacionais na esperança de fazer parte da aliança que está sendo construída para acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos. Mas, para que faça parte, europeus e outros parceiros já avisaram: o Brasil terá de contribuir financeiramente. O projeto é ambicioso e poderia ser decisivo. As entidades querem US$ 31,3 bilhões nos próximos doze meses para lidar com a pandemia do coronavírus. O grupo admite que o confinamento indefinido de populações como instrumento para lutar contra o vírus não é sustentável, ainda que tenha sido fundamental. O projeto planeja distribuir 500 milhões de testes até meados de 2021 aos países em desenvolvimento e 2 bilhões de doses de vacina, além de 245 milhões de tratamentos. Para o grupo, a aliança precisará imediatamente de US$ 13,7 bilhões.

Ainda que significativo, o volume é apenas uma fração do que tem sido o impacto da pandemia, estimado em US$ 337 bilhões por mês à economia global. Além disso, 100 milhões de pessoas podem ser jogadas a uma situação de pobreza. A percepção é de que não há como manter as populações confinadas de forma indefinidas e instrumentos de testes serão necessários como resposta. Uma solução definitiva, porém, só viria com a vacina.

Para o responsável pela área de diagnósticos da Aliança, Peter Sands, os confinamentos prolongados das populações não terão como continuar e a única solução é testar. Mas, para isso, investimentos terão de ser realizados. “Nos países em desenvolvimento, o confinamento não é sustentável. Famílias precisam suas rendas e governos não têm como compensar essa perda de renda”, disse. Ao mesmo tempo, o sistema de saúde não está dando conta. “O teste é a real resposta. Mas, para isso, precisam de diagnósticos”, afirmou Sands, que é ainda o diretor-executivo do Fundo Global para a luta contra a Aids.

Sua meta é a de produzir e distribuir 500 milhões de testes em doze meses, além de treinar 10 mil pessoas. No total, a operação irá exigir US$ 6 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões terão de chegar imediatamente. Na próxima semana, o mundo atingirá 10 milhões de casos da doença. Mas o que assusta a OMS é de que, por enquanto, a pandemia continua a se acelerar. Por dia, são mais de 130 mil casos em média na última semana. De acordo com a OMS, países com maior índice de transmissão serão alvos de uma operação emergencial. Mas critérios ainda serão estabelecidos. Nesse cenário, o Brasil poderia estar entre os locais considerados como prioritários.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, afirmou nesta sexta-feira que o Itamaraty solicitou seu ingresso no projeto. “Damos as boas vindas”, disse o executivo, sem dar detalhes.

Fonte/UOL

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