Conversão de leitos para UTI foi estratégia comum entre municípios que mais aumentaram vagas contra a Covid, diz levantamento

A conversão de leitos menos complexos para leitos de UTI foi uma estratégia comum dos municípios brasileiros na resposta à pandemia do novo coronavírus para garantir um rápido aumento no número de vagas nos hospitais, aponta levantamento da plataforma Farol Covid que analisou as 20 cidades mais afetadas pela pandemia.

A cidade de São Paulo foi a que mais ampliou suas unidades de tratamento intensivo. Entre fevereiro e maio, foram criados 2.001 (veja a tabela abaixo) novos leitos somente para Covid-19. Ao mesmo tempo, o município reduziu o número de seus leitos comuns e leitos cirúrgicos.

A capital pernambucana foi a segunda com maior variação no número de leitos exclusivos para pacientes com coronavírus. Foram 817 leitos de UTI Covid criados no Recife, município que apresentou variações negativas nas outras modalidades de leito.

Ana Paula Pellegrino, coordenadora de Tecnologia e Dados na Impulso, analisou que esta variação negativa em leitos comuns e positiva em UTI Covid é um sinal de que houve uma conversão nos leitos, ainda que não seja a única estratégia. O Rio de Janeiro, por exemplo, não teve números negativos em leitos menos complexos e ainda assim apresentou uma variação positiva nos exclusivos.

“Se tem uma expansão, os municípios fizeram a compra e instalação de novos leitos, mas teve também um esforço considerável de conversão de novos leitos que tem uma relação com aumento da capacidade”, disse Pellegrino.

Para essa conversão, os hospitais precisaram seguir normas restritas e até mesmo reorganizar equipes para receber a habilitação do Ministério da Saúde. O sanitarista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina Neto, explicou que esse é um processo caro e complexo.

“O HC (Hospital das Clínicas de SP) fez isso, a conversão de leitos”, disse Vecina. “Pegou leitos de enfermaria e os transformou em leitos de UTI – você diminui o número de leitos, coloca respirador, monitor, um conjunto de coisas mínimas para cada um. É um procedimento complicado e caro, que precisa de muito mais gente, é isso que é mais complicado, ter mais profissionais especializados.”

UTI Covid

Uma nova modalidade de leito foi inserida no levantamento do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) partir do mês de maio. Foi quando o sistema passou a divulgar dados sobre o número de leitos de UTI específicos para Covid-19 e cidade de São Paulo foi a que mais teve leitos deste tipo (2.001).

Na cidade, além da criação de hospitais de campanha, houve uma movimentação de leitos de UTI e leitos cirúrgicos que foram convertidos em leitos exclusivos para pacientes com coronavírus.

“Estes leitos não apareciam em fevereiro, por isso há variação nos outros tipos”, disse Pellegrino. “Os cirúrgicos variaram para negativo, porque se transformaram em ‘leitos Covid’.”

Maior capacidade

Os municípios com maior número de casos confirmados de coronavírus no Brasil também são os que tiveram o maior aumento na sua capacidade hospitalar. Juntas, elas somavam 365.934 confirmações, o que representava 71% do acumulado no Brasil até o final de maio.

O levantamento detalha que as cidades que tiveram o maior aumento absoluto na oferta de leitos entre fevereiro e maio deste ano foram São Paulo (1.301), Recife (991) e Rio de Janeiro (935). Os dados são atualizados mensalmente pelo (CNES) e apresentam um atraso em relação ao mês vigente.

Fonte/G1

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